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Visto da Janela

Um olhar sobre o mundo - o mais próximo e aquele mais distante. De quando em vez, ou sempre que haja um minuto para uma nota, breve, ou mais prolongada. Para aqueles que estejam dispostos a ler-me...

"Um dia" estará totalmente aberta

por vistodajanela, em 13.05.22

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O debate na especialidade do Orçamento de Estado permite sempre acompanhar alguns dossiês de grande atualidade e de manifesto interesse para as regiões. As redes sociais suprem a falta de algum tempo para acompanhar o canal Parlamento (ARTV). E no que se encontra em debate, não passaram despercebidos os temas da Linha do Douro e da recente proposta de uma nova linha de caminho de ferro, esta de alta velocidade a ligar o aeroporto Francisco Sá Carneiro a Bragança, integrando depois a rede espanhola para Madrid e para a restante Europa.

Merece realce o facto desta problemática estar a ser liderada por instituições da sociedade civil, que têm desenvolvido um muito significativo esforço para fazer valer os argumentos que todos veem, mas que alguns não querem ver. Não porque tenham dificuldade de compreensão. De modo nenhum. Pessoas inteligentes, com visão estratégica para os problemas do país compreendem muito bem os argumentos dos que, da província, ousam dirigir-se à capital com propostas bem estruturadas e fundamentadas. Afinal, muito simplesmente respondem ao convite/desafio de exercitar o seu dever de cidadania. Não só no momento eleitoral, mas em cada momento, partilhando preocupações, chamando a tratar dos dossiês pessoas que “sabem da poda” para depois apresentar soluções aos responsáveis pela governação.

 O que nos falta para que não haja uma resposta como a que constitui a epígrafe deste Visto? Aliás, na citação completa - «a Linha do Douro "um dia" estará totalmente aberta e "há outras prioridades"».  Argumentos não faltam. Hoje, como ontem, cruzam-se interesses de cariz económico e social das gentes do Porto e de Trás-os-Montes e Alto Douro para a sua construção ou revitalização. O comboio mudou muito no Douro. E não só o transporte dos vinhos. O destino turístico que o Douro também é aconselharia a ver as propostas de hoje, pelo menos, como o que foi a vontade da burguesia portuense e dos produtores de vinho do Douro na segunda metade do séc. XIX. E se não temos um Ministro das Infraestruturas natural da região temos que saber inventar uma forma de levar a água ao nosso moinho. Se no Douro já não os há, porque as barragens os substituíram, teremos que ir moer a outros porque urge cozer o pão. Este é o ano do 150º aniversário da decisão de a construir. A oposição tem um papel no parlamento. Os Deputados que apoiam o governo têm outro. Saber articular os vários papéis é uma arte. A região merece-o.

 

“O vosso povo sabe o que estamos a sentir”

por vistodajanela, em 29.04.22

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A poucos dias de celebrar Abril, mesmo que alguns persistam em tentar denegrir momento tão importante da nossa História, um Presidente de um outro país, a Ucrânia, lembrou-nos como “a Revolução dos Cravos nos libertou da ditadura”. Todo o povo saberá? Talvez, nem todo. Mas a sua maioria ainda sabe bem o valor da Liberdade que os militares, os capitães de Abril reconquistaram para os portugueses.  Para todos, mesmo para os que não sabem, talvez nunca venham a saber, valorizar tão importante momento.

Os ucranianos sabem bem o que é a guerra. Os de hoje, os de 2014, os de 1939-45. Alguns que viveram a guerra mais distante, assim como as mais recentes, têm testemunhado o seu profundo sentir. Destroçados perante um invasor, um país vizinho, a que alguns chamavam “a mãe Rússia”. Mas que mãe!... A destruição a que têm sido sujeitos, os vexames por que têm passado homens e mulheres, crianças e mais velhos, atacados em suas casas, espoliados dos seus bens, escondidos em subterrâneos, nos corredores do metro, em caves de teatros, enfim, expostos a todos os perigos em hospitais a que tinham recorrido para curar as feridas ou em lares e escolas, que são, deviam ser, espaços de paz ou de aprendizagem da tolerância e da convivência entre povos. Volodímir Zelenski lembrou-nos tudo isso no discurso que proferiu perante o Parlamento, o Governo e o Presidente da República Portuguesa. E muito mais. Pediu que ajudássemos aquele povo a lutar pela sua terra, pela liberdade, pelo seu próprio caminho em busca do desenvolvimento e do bem-estar. Que merecem como qualquer outro povo, nomeadamente, o povo europeu, que também é. Pediu apoio para que a União Europeia receba o seu país no espaço de desenvolvimento, de prosperidade, de paz em que, progressivamente, se transformaram as comunidades europeias, criadas após o conflito mundial de 39-45. Pediu armas para poder alcançar a paz que o invasor destruiu.

Num tempo de acompanhamento ao minuto das guerras que a cobiça, o sentimento de superioridade, o desejo de domínio, mesmo que à custa de esmagar o povo vizinho, os novos imperialistas provocam, a luta do povo da Ucrânia merece todo o respeito e apoio. “Encontrar-nos-ão, os invasores, a olhar para eles”, afirmou logo no início do conflito este Presidente que se nos dirigiu. Também por isso, o povo ucraniano mostra muito bem que a sua luta, como afirmou o Presidente da Assembleia da República, “é a luta da Europa toda pela liberdade”.

A nova legislatura

por vistodajanela, em 17.04.22

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A reprovação da proposta de Orçamento de Estado para 2022, em novembro passado, devolveu aos eleitores o poder de decidir, mais uma vez, o caminho. Mesmo que alguns insistam em não reconhecer que o poder está no povo - por isso continuam a desdenhar dos resultados do dia 30 de janeiro – este quis que os sobressaltos dos 6 anos anteriores passassem à história. «A soberania, una e indivisível, reside no povo» (Nº 1 do Artigo 3º da CRP). Criaram-se incidentes, uns atrás dos outros. Felizmente, no debate do Programa do Governo surgiu a clarificação. E mesmo que um Grupo Parlamentar tenha tentado “brincar” às moções de censura (é um direito que lhe assiste), a legitimação do XXIII Governo Constitucional foi clara. E foi bom ver a esquerda parlamentar rejeitar essa moção.

O Programa do Governo decorre, naturalmente, do Programa sufragado nos resultados eleitorais. Não é só de agora. Noutros momentos, também foi isso que aconteceu. A bem da transparência e da lisura para com os eleitores. Se nas campanhas há quem não queira debater propostas para os problemas do país, esse não foi o caso nestas eleições. Vários partidos, e não só o que acabou por merecer a confiança maioritária dos portugueses, no caso, com maioria muito clara, apresentaram propostas à consideração dos eleitores. Tudo normal, pois. Nele encontramos um desígnio: «garantir que a geração mais preparada de sempre, será também, aqui, no nosso País, a geração mais realizada de sempre»; uma agenda estratégica que «identifica e responde a quatro desafios centrais: responder à emergência climática, contrariar a perda demográfica; prosseguir o combate às desigualdades e assegurar a transição digital». Assim como metas concretas. Aliás, como também se demonstrou que se ajustaram medidas à nova realidade provocada pela guerra na Europa. Medidas de apoio às empresas para assegurar a capacidade produtiva e às famílias com menores rendimentos. Algumas, aprovadas no dia seguinte.

Também neste debate se repetiram algumas situações. Uns declaram que o programa não responde aos problemas, outros, que está desfasado da realidade, pois o mundo mudou nestes dois meses. Porque mudou nos termos que se conhecem é que o verdadeiramente importante é ter um Programa de Governo com objetivos e estratégias claros que se dirigem ao essencial e permitem uma adequação, em cada momento, às novas exigências e condicionalismos que forem surgindo. Porque a isso vamos estar sujeitos.

 

Abril, 17 500 dias

por vistodajanela, em 31.03.22

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Seria somente um número, este que titula o Visto de hoje. É bem mais. Significa que a geração que viveu o 25 de Abril de 1974 vê agora terem passado mais dias, desde então, em democracia, do que os que Portugal viveu em ditadura. Assim se compreendem muitos escritos que se leram nas redes e em artigos e notícias de meios de comunicação a propósito de tão importante e significativo momento. Ali, bem perto, na manhã do dia 25 de Abril de 1974, tinha-se vivido um dos momentos mais tensos da revolução dos cravos. O choque entre a força comandada por Salgueiro Maia e uma outra que defendia o regime. Há mesmo quem afirme que foi a atitude corajosa, sem medo, dos homens vindos de Santarém que deu início à viragem efetiva da correlação de forças. Foi, pois, muito a propósito a escolha do Pátio da Galé para a abertura das comemorações dos 50 anos de tão importante data.

E a cerimónia teve momentos importantes, a reter. Para além do local, das condecorações outorgadas a militares de Abril, o envolvimento das gerações mais novas na efeméride – a jovem poetisa Alice Neto de Sousa e a Orquestra Geração, constituída por jovens músicos num interessante projeto de inclusão social. A certo momento, receei que a televisão de serviço público se alheasse daquele momento. Felizmente, não. E foi bom poder ver aqueles jovens músicos a interpretar “O Governo do Povo”, um original de Bruno Pernadas, composto para o ato, as “senhas” da revolução (“E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso), assim como o poema “Março”, que Alice Neto de Sousa criou para este momento. Que bom ouvir que «é preciso dar uma alma a toda a gente, que a liberdade é muito mais que uma mensagem secreta, uma indireta escondida no meio do poema» - afinal, “a liberdade está a passar por aqui” (Sérgio Godinho), pelos jovens de hoje, que os jovens de outros tempos cantaram e/ou conquistaram. Uns e outros são merecedores de gratidão, que o Primeiro-Ministro lembrou. Porque criaram espaço para a solidariedade, nas palavras do Presidente da Assembleia da República. Coerentemente, o nosso desafio, hoje, é lançar sementes de futuro, nas palavras do Presidente da República.

Não se sabe, agora, como vai continuar o programa das comemorações. Agora, que o Presidente da Comissão Executiva vai para o Governo. Mas começou muito bem. Desenganem-se os de vistas curtas, que não lhes reconheciam capacidade para surpreender. Será bom continuar assim.

 

Valorizar Portugal

por vistodajanela, em 19.03.22

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Muito recentemente, à conversa com jornalistas da vizinha Galiza, deparei-me com a necessidade de explicar o conceito de Freguesia, bem como dos órgãos eleitos - Junta e Assembleia de Freguesia. Na vizinha Espanha, como na generalidade dos países da União Europeia, não existe. A questão que sempre se coloca é a do choque e da sobreposição, ou não, de competências com o Município. Este foi um assunto presente no Congresso da ANAFRE – Associação Nacional das Freguesias -, que teve lugar no passado fim-de-semana em Braga. “Freguesias 2030 – Valorizar Portugal” era o tema agregador e orientador da reflexão. Foi seguida pela generalidade dos que quiseram intervir nos debates, assim como nos que apresentaram moções setoriais.

Tenho acompanhado com atenção estes congressos. Nota-se um assinalável progresso na qualidade da participação e nas propostas apresentadas. Há sempre exceções. Neste XVIII foi muito triste que se tenha rejeitado uma moção sobre a regionalização. Para se tratarem determinados assuntos num fórum tão diversificado também é preciso saber do que e como se fala, ou escreve. Porque há sempre quem espere um deslize para fazer vingar as suas opções. Foi o caso. Lamentavelmente. Mas problemas locais muito concretos – alguns dirão, muito comezinhos – tiveram ali voz. E não são de somenos importância, como é o caso de problemas de poluição de cursos de água, de acesso às novas tecnologias e às redes de comunicação. Ou as questões que têm a ver com a reorganização administrativa e a descentralização de competências que, Ministra Alexandra Leitão disse, “deve ser acelerada”. A este respeito merece também ser assinalada a afirmação de um dos presentes quando se referiu à fundação da ANAFRE e lembrou que, a partir de então, já não precisava tanto de ir à Câmara, de chapéu na mão, a pedir a execução de uma obrinha necessária na sua freguesia. Com recursos, evidentemente, como lembrou o Presidente da República. A mostrar a atenção dos autarcas a questões mais globais, destaque para as alusões à guerra na Ucrânia, ao trabalho de algumas freguesias no acolhimento que se está a fazer aos refugiados daquele país e à moção “Pela paz na Europa”.

Os congressos desta natureza são sempre momentos de afirmação das entidades que os organizam. Com riscos, naturalmente. “O que está aqui presente é o povo português”, disse o Presidente da República. Na pessoa dos presidentes de Junta e de Assembleia de Freguesia. Ambos valorizam o Interior.

Joana Vasconcelos na inauguração da Adega Quanta Terra

por vistodajanela, em 05.03.22

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Os meus parabéns aos Eng.s Celso Pereira e Jorge Alves. Inauguraram a Adega Quanta Terra - Destilaria nº 7, em Favaios, na passada sexta-feira e convidaram Joana Vasconcelos para trazer duas das suas peças, agora ali, em exposição. Arte no Alto Douro Vinhateiro,  na Aldeia Vinhateira de Favaios.

Que boa maneira de dar novo uso à antiga destilaria da Casa do Douro, em Favaios.

Lutar pela paz, uma constante

por vistodajanela, em 03.03.22

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“A Europa connosco”! Recordo bem este slogan. Mário Soares procurava assim mobilizar a opinião pública portuguesa para a participação nas primeiras eleições legislativas livres após o 25 de Abril de 1974. Uma Europa de paz e de progresso económico e social. Assim se mostrava a Comunidade Económica Europeia. E no espetro político nacional, a maioria dos portugueses passaram a rever-se nesse desígnio. Talvez por isso, muitos dessa geração acompanhem neste momento, preocupados, a invasão da Rússia à Ucrânia. A Europa em guerra. A mostrar, hoje, que é muito difícil viver em paz.

Esta guerra torna bem visível quão difícil é evitar conflitos quando se está perante governos autocratas, de um poder unipessoal, praticamente o único detentor de poder no seu país. E quando se ordena o alerta máximo da força de dissuasão nuclear tudo se torna mais grave.

Julgava, todos nós estávamos convencidos, que a guerra e os seus malefícios estariam longe da Humanidade neste séc. XXI. Quem nasceu pouco depois da devastadora guerra de 1939-45, viveu os anos da guerra das Coreias, se viu envolvido na guerra das ex-colónias portuguesas, acompanhou a Guerra Civil que se seguiu ao desmembramento da Federação da Jugoslávia, teria o direito a viver em paz. A convivência pacífica, de progresso e desenvolvimento que a construção paulatina, mas consistente, que a União Europeia proporcionou a muitos dos países da Europa era um excelente prenúncio. Também por isso, a vida em paz se tornou a convicção da generalidade dos europeus. Afinal… E não se diga que tudo se passa longe, porque assim não é. Hoje, tudo acontece muito perto de nós.

Neste cenário, destaque para personalidades imbuídas de um grande sentido humanista. O Papa Francisco deixou o mundo todo a interrogar-se por que razão tomou a iniciativa de se dirigir à Embaixada da Rússia em Roma, num claro apelo à paz. Que grande testemunho. O Papa Francisco, profundamente preocupado com a guerra na Ucrânia a deitar mão do seu papel de Chefe de Estado, que também é, para mostrar o caminho de que só a paz deve interessar a todos. E disponibilizou o Vaticano para intermediar uma solução. Também Ele a construir a paz. A outro nível, António Guterres, Secretário-Geral da ONU, na reunião do Conselho de Segurança, quebrando o protocolo, a dirigir-se à Rússia, pedindo “do fundo do coração” ao líder de um membro daquele Conselho, por sinal a presidir naquele momento, para “dar uma oportunidade à paz”.

 

Choques, ameaças e ataques

por vistodajanela, em 18.02.22

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A ver o mundo deste Marão, hoje, sombrio pela manhã, envolto, mais tarde, por uma névoa que se foi transformando na chuva que, há muito, se aguardava. Quase em desespero, porque o adágio da Senhora das Candeias tardava a concretizar-se - «Se a Senhora das Candeias rir, a chuva está para vir». Pois ela aí está, a quase dificultar essa visão do mundo. Valem-nos estas outras formas comunicar, que a internet nos propicia.

Os últimos dias foram pródigos em acontecimentos. Nem todos funestos. Mas há sempre quem veja algo de negativo no que vai acontecendo. Se no dia seguinte às eleições legislativas de 30 de janeiro muitos se regozijaram, outros houve que nem por isso. Manda o realismo e os princípios do sistema democrático que se respeitem os resultados eleitorais. Ao menos isso. Pois houve quem não se conformasse. Azia q.b.! Choque! Declarações públicas dirigentes dos que deviam comportar-se como pilares da democracia, que os partidos são, deixam muito a desejar. Seguiram-se ameaças de saída à rua e queixinhas. Normal dir-se-á. Também o direi. Mas há um tempo para tudo. Para a democracia representativa funcionar e para a democracia direta se expressar.

As televisões trouxeram-nos casa adentro notícias que amedrontaram o comum dos mortais. Nem todos têm a capacidade de separar o trigo do joio. Por isso se tornou tão polémico o comunicado conjunto do Ministério Público e da Polícia Judiciária a respeito do atentado que esteve para acontecer, mas que, afinal, não aconteceu. O jovem chegado da aldeia à cidade grande, à universidade, que planeia um atentado?! Inadaptação? Ódio? Vontade de matar? As televisões excederam-se com imagens do jovem estudante, da sua família e da sua aldeia. A outro nível, houve mesmo ataques reais. Também eles, muito preocupantes. Foram ciberataques a empresas de comunicação social, a uma outra de telecomunicações e a um laboratório da área da saúde. Os alvos são empresas sensíveis. Em todos estes casos com consequências nefastas para o comum das pessoas, muitas delas sem nada que possa merecer os malefícios de um jornal que não sai, de uma televisão que deixa de emitir, de uma rede de telecomunicações que fica bloqueada e não permite que filhos contactem com os pais, de empresas impedidas de desenvolver os seus negócios, infraestruturas de saúde que deixam de poder prestar serviços essenciais, em qualquer situação, mas ainda mais em caso de pandemia como o que se vive atualmente.

Quando o eu chega ao extremo

por vistodajanela, em 03.02.22

 

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Nesta tarde solarenga de 27 de janeiro, em frente ao computador hesitava em trazer ao meu “Visto do Marão” dois temas da atualidade, de interesse claramente regional, quando uma notificação de um eurodeputado me lembrava que estávamos no “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto” – 27 de janeiro de 2002/27 de janeiro de 1945. Instituído pela ONU em 2005, pretende que não se esqueça o genocídio em massa de seis milhões de judeus pelos nazis e respetivos colaboracionistas. Foi um dos maiores crimes contra a Humanidade de que há memória. Mas, de igual modo, a instituição deste Dia pretende educar para a tolerância e a paz, assim como alertar para o combate ao antissemitismo. A este propósito, o Público lembra hoje que «o aumento de ataques contra judeus em todo o mundo fez de 2021 “o ano mais antissemita da última década”.

No último “Visto” abordámos a importância da valorização do “nós” face ao “eu”, pois o Homem é um ser gregário, vive em comunidade e, também nesse sentido, deve empenhar-se na resolução dos problemas da sua comunidade. Assim, é fundamental o respeito pela diferença, pela diversidade, como base de uma sã convivência de todos com todos. Isso não foi seguido nos anos trinta do século passado em alguns países, designadamente na Alemanha, dominada pelo totalitarismo ditatorial de Hitler. A perseguição ao povo judeu é uma mancha na História da Europa que não pode ser esquecida. O Parlamento Europeu, muito a propósito, realizou no dia 27 uma sessão extraordinária sobre essa questão. Porque não pode, não deve esquecer-se que o individuo, mesmo que visto na perspetiva de um povo, não tem o direito de se sobrepor a outros/outro, perseguindo, maltratando e exterminando através de atrocidades diabólicas, outras pessoas, um povo, mesmo.

Nenhum extremismo é justificável. Nem por motivo de raça, etnia, religião, orientação sexual, ou outro. Para que não se apaga da memória coletiva, revestem-se de especial importância os “Dias de…” Como este 27 de janeiro. Efetivamente, o Holocausto não pode ser esquecido, mesmo que já tenham passado 77 anos. Recordar essa tragédia obriga-nos a refletir sobre os direitos das pessoas, enquanto indivíduo e comunidade, sobre os Direitos Humanos e o valor da solidariedade. O ódio nunca é solução. A solução será sempre ver, preferencialmente, o “nós” para construir o bem comum.

Cinco notas breves sobre o dia 30 de janeiro pp

por vistodajanela, em 03.02.22

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Após um ato eleitoral é normal que cada um faça a sua leitura dos resultados. Nestas, ao que parece, já nem todos viraram os números de tal maneira que todos os partidos encontravam motivos para considerar uma vitória. Estamos a evoluir, nesse aspeto. Só nesse! Daqui, deste meu Marão – Miguel Torga dixit – 5 notas, o meu Visto:

1 – O eleitorado foi muito claro. Resolveu reafirmar a confiança em António Costa. Notem que ele esteve sempre à frente, destacado, mesmo quando as sondagens davam o PS e o PSD próximos.

2 – A sua mensagem em que valorizava a estabilidade foi claramente entendida pelos portugueses. Fator fundamental para que as políticas iniciadas em 2015 possam avançar. Os observadores, aqueles que, mais desinibidos, libertos de amarras que espíritos mesquinhos obnubilam, são capazes de objetividade constatam-no e atribuem-lhe significado decisivo.

3 – António Costa e o PS fizeram uma campanha de conteúdos e, pelos vistos, com um excelente trabalho de casa, como afirmou Luís Paixão Martins na CNN Portugal. Aquele trabalho com independentes de vários setores de atividade também o mostram. Nem os ataques de alguns setores da saúde evitaram que Coimbra (Marta Temido) e Leiria (Lacerda Sales) seguissem a tendência nacional.

4 – Pelo distrito de Vila Real e, de um modo geral, pela generalidade dos municípios que podemos designar como constitutivos da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, normalmente, mais conservadores, também se espalhou a onda rosa. Não escondo, todavia, que os votos da direita mais radical e da extrema-direita me preocupam. Quem não se preocupará?

5 – Desejo, e tenho esperança que assim sucederá, que António Costa continue a Avançar, prosseguindo uma política com preocupações e intervenções de natureza social, com um estado a desempenhar um importante e decisivo papel, para que ninguém fique para trás, mas em que as contas certas e uma boa gestão dos recursos continuem a dar a Portugal a boa imagem e a credibilidade internacional que granjeou neste 6 anos.