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Visto da Janela

Um olhar sobre o mundo - o mais próximo e aquele mais distante. De quando em vez, ou sempre que haja um minuto para uma nota, breve, ou mais prolongada. Para aqueles que estejam dispostos a ler-me...

Abril, 17 500 dias

por vistodajanela, em 31.03.22

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Seria somente um número, este que titula o Visto de hoje. É bem mais. Significa que a geração que viveu o 25 de Abril de 1974 vê agora terem passado mais dias, desde então, em democracia, do que os que Portugal viveu em ditadura. Assim se compreendem muitos escritos que se leram nas redes e em artigos e notícias de meios de comunicação a propósito de tão importante e significativo momento. Ali, bem perto, na manhã do dia 25 de Abril de 1974, tinha-se vivido um dos momentos mais tensos da revolução dos cravos. O choque entre a força comandada por Salgueiro Maia e uma outra que defendia o regime. Há mesmo quem afirme que foi a atitude corajosa, sem medo, dos homens vindos de Santarém que deu início à viragem efetiva da correlação de forças. Foi, pois, muito a propósito a escolha do Pátio da Galé para a abertura das comemorações dos 50 anos de tão importante data.

E a cerimónia teve momentos importantes, a reter. Para além do local, das condecorações outorgadas a militares de Abril, o envolvimento das gerações mais novas na efeméride – a jovem poetisa Alice Neto de Sousa e a Orquestra Geração, constituída por jovens músicos num interessante projeto de inclusão social. A certo momento, receei que a televisão de serviço público se alheasse daquele momento. Felizmente, não. E foi bom poder ver aqueles jovens músicos a interpretar “O Governo do Povo”, um original de Bruno Pernadas, composto para o ato, as “senhas” da revolução (“E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso), assim como o poema “Março”, que Alice Neto de Sousa criou para este momento. Que bom ouvir que «é preciso dar uma alma a toda a gente, que a liberdade é muito mais que uma mensagem secreta, uma indireta escondida no meio do poema» - afinal, “a liberdade está a passar por aqui” (Sérgio Godinho), pelos jovens de hoje, que os jovens de outros tempos cantaram e/ou conquistaram. Uns e outros são merecedores de gratidão, que o Primeiro-Ministro lembrou. Porque criaram espaço para a solidariedade, nas palavras do Presidente da Assembleia da República. Coerentemente, o nosso desafio, hoje, é lançar sementes de futuro, nas palavras do Presidente da República.

Não se sabe, agora, como vai continuar o programa das comemorações. Agora, que o Presidente da Comissão Executiva vai para o Governo. Mas começou muito bem. Desenganem-se os de vistas curtas, que não lhes reconheciam capacidade para surpreender. Será bom continuar assim.